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Isto Não É Uma Mulata

  • Foto do escritor: Mônica Santana
    Mônica Santana
  • 14 de set. de 2021
  • 2 min de leitura

Vencedor do Prêmio Braskem de Teatro 2015, na categoria Revelação, o solo teatral Isto Não É Uma Mulata é uma obra que provoca reflexões sobre a representação da mulher negra, além de apontar as fragilidades do mito da democracia racial brasileira, com ironia e humor. Com criação e atuação de Monica Santana, a obra ganhou ressonância na cena teatral de Salvador por trazer uma perspectiva de discussão sobre as questões raciais, com uma linguagem aproximada com a performance, mas também incorporando elementos de cultura pop, ironia, depoimento pessoal e apontamentos de teatro épico. Partindo da famosa frase proferida por Gilberto Freyre “Branca para casar. Mulata para fornicar. Negra para trabalhar”, a artista Mônica Santana tece obras que questionam as formas de representação da mulher negra: seja a mestiça hipersexualizada, de formas exuberantes e sempre disponível para o sexo, seja a negra escura para o serviço braçal. É com o ponto de partida de ironizar a imagem canonizada da mulher negra nas artes e na mídia, visitando diferentes referências e criando novos discursos que a performer. O caráter atual e inquietante da obra gerou forte repercussão na internet junto às mulheres negras de vários pontos do Brasil levou a artista ser escolhida como uma das 25 Mulheres Negras Mais Influentes na Internet Brasileira, na lista realizada pelas Blogueiras Negras e amplamente divulgada na websfera. Isto Não É Uma Mulata é um espetáculo que reside num entrelugar da performance e do teatro, empregando recursos de ironia, visitando clichês na representação da mulher negra, por vezes, reduzida ao trabalho doméstico, à sensualidade da passista carnavalesca, ao corpo exuberante. Também entram em cena, referências da cultura pop, da música, criando novas estratégias para um exercício de teatro político, onde o movimento, a dança e o paradoxo são recursos explorados, sem empregar didatismo. O projeto conta com a produção da Gameleira Artes Integradas e traz a direção musical de André Oliveira, figurinos de Cássio Caiazzo, soluções cenográficas de Deilton José, maquiagem de Nayara Homem e iluminação de Luiz Guimarães. Em 2016, a montagem tem participado de festivais e mostras relevantes no cenário baiano e nacional: foi destaque no Festival Internacional de Artes Cênicas da Bahia (FIAC), no Festival Latinoamericano de Artes Cênicas – FILTE e participou da VI Mostra Benjamin de Oliveira, em Belo Horizonte (MG), selecionada entre 109 obras de todo o país e o BH In Solos, também na capital mineira. Também participou da IV Mostra Nova Dramaturgia Melanina Acentuada, integrando o cenário nacional de dramaturgos negros, reunido em Salvador. Na versão performance, foi em versão na abertura da Caravana da Música (Praia do Forte/BA) e no Festival Minavu (Salvador), bem como encerrou o Simpósio Diálogos e Saberes, da Universidade Estadual da Bahia, Campus Jacobina.


 
 
 

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