Ana e Tadeu
- Mônica Santana
- 3 de abr. de 2025
- 3 min de leitura
Atualizado: 12 de mai. de 2025
Ou entre mortos e feridos

salvaram-se (quase todos)

Texto de Monica Santana e Direção de Diego Araúja
Com Mônica Santana e Antônio Marcelo
Realização Crioula Arte e Cultura e Produtora Árvore
Dramaturgia
Por Mônica Santana
Ana e Tadeu é uma história que já vinha ruminando em exercícios de escrita, exercícios de construção de diálogos que fossem afiados, intensos, que movessem a ação. Mas também é fruto da escuta de tantas histórias de perdas, de um cotidiano, mais comum do que devia. É resultado de uma ruminação longa sobre o luto permanente de pessoas negras. Que subjetividade se constitui diante das dores- sem reduzir essa mesma subjetividade às dores. Qual é o lugar do desejo? Qual é o lugar do descanso? Qual o lugar da frustração?
Esses dois personagens fazem escutar seus pensamentos mais íntimos, enquanto escutam os terríveis barulhos do mundo lá fora. Dentro e fora convivem e se implicam – afetam-se, enquanto expõem seus afetos. Enquanto entramos em suas cabeças: dentro e fora são limites inventados.
Esse texto escrito em 2022 e foi lido pela primeira vez publicamente em 2024. Desde que comecei a visualizar como essa cena poderia se concretizar no palco, com que cara, com que energia e com que possibilidades sonoras, visuais, discursivas, sempre pairou a vontade de convidar Diego Araúja para encenar este trabalho. Artista que admiro pela genialidade, dedicação e labor. Admiração que só cresce depois dessa experiência, na qual além de escrever, também estou sendo dirigida por ele.
Ana e Tadeu também é fruto dessa vontade de voltar para o palco, num jogo de contracena que fosse exigente, desafiante para mim, muito habituada aos solos. Tadeu ganha corpo com Antônio Marcelo, um parceiro de cena afetuoso, generoso, dedicado e talentoso. Sou inteira gratidão. Também gratidão à Fabiana Marques, coordenadora de produção deste projeto, que me acompanha desde a escrita e tentativas de captação. Tempo, tempo, tempo, tempo.

Zangabanzo: A encenação
Por Diego Araúja

Observo Ana & Tadeu enquanto reafirmação do projeto poético de Mônica Santana: a promoção de uma conversa, por vias cênico-performáticas, sobre os afetos no seio das relações comunitárias/familiares afro-brasileiras. Por isso mesmo, trata-se de um estudo do como se agencia no sujeito negro, entre sujeitos negros, esses afetos. Portanto, oferece arquitetura e ação para algo aparentemente (ou sensivelmente) imaterial; o que aproxima a proposta cênica de Mônica da manifestação.
Depois do amor e do luto, um conjunto de solilóquios, conversações, palavras e agressões; uma verborragia que afirma a Falta pelo excesso. Em Ana & Tadeu ainda estão lá os temas abordados por Mônica em outros trabalhos e, no entanto, é uma ausência que fala em terceira voz, alguma coisa como paisagem ao casal; e que pesa os membros, e que lentifica os movimentos – há momentos que há certo espasmo físico. Entre esses personagens, uma distância aberta (não longa) a que chamaremos nessas projeções de zangabanzo.
Afirmar, dar manifestação a CENAZANGABANZA, mover um invisível excessivo que é sempre algo que falta ou algo de perdido.
Materializar uma atmosfera, redoma transparente (ou mesmo opaca vide as incompreensões para com o manifesto); desmedida e excedente. Toda perda é encarnada, rigorosamente porque perdida; distante, porque foi próxima. A perda é o contrário afirmado pelo equivalente. Está presente através do avesso. A experiência negro-brasileira se abarrota disso; foi assim com a terra de antes, com o corpo que se teve; é assim também com os filhos perdidos.
Créditos: Priscila Fulô
Ficha Técnica
Idealização do projeto e Texto | Mônica Santana
Direção| Diego Araúja
Atriz | Mônica Santana
Ator | Antonio Marcelo
Assistência de direção | Neemias Santana e Quemuel Costa
Direção Coreográfica | Neemias Santana
Cenografia | Diego Araúja e Erick Saboya
Cenotecnia | Felipe Cipriani (Oxe Arte)
Trilha Sonora | Andrea Martins e Ronei Jorge
DJ e operação de som | Nai Kiese
Técnica de Som| Acelino Costa e Nai Kiese
Desenho de luz | Caboclo de Cobre
Operação de Luz | Caboclo de Cobre e Almir Gaiato
Técnico de luz | Almir Gaiato
Figurino | Alexandre Guimarães
Costura | Maria de Lourdes
Dreadlocks| Daniel Tulipeno (@vixevixi)
Produção | Fabiana Marques
Assistente de produção | Lucas Oliveira
Gestão Administrativa e Financeira | Thayná Mallmann
Comunicação | Mônica Santana
Identidade visual e Design Gráfico | Duna (Lia Cunha e Isabella Coretti)
Fotografias (Design gráfico) | Priscila Fulô
Fotografias (Imprensa/Divulgação/Design Gráfico) | Caio Lírio.
Créditos: Carol Lira
Agradecimentos
Gordo Neto, Leonel Henckles, Joatan Nascimento, Laís Machado, Gustavo Melo Cerqueira, Daniel Arcades, Priscila Santana, Mariana Freire, Teatro Vila Velha, Carolina Lira, Rebeca Ribeiro Lima, Teatro SESI Rio Vermelho, Dimenti Produções, Bergson Nunes, Ramona Gayão, Rebeca Ribeiro Lima, Centro de Formação em Artes (CFA), Caio Rodrigo, Rafael Brito Pimentel, Jamile Menezes, Bergson Nunes.
Gratidão sobretudo aos guias e protetores que nos fortalecem para realizar esse trabalho. Modupé!
Crédito: Caio Lírio

















































































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